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5 dicas para um recém-licenciado na procura do primeiro emprego em Enfermagem

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5 dicas para um recém-licenciado na procura do primeiro emprego em Enfermagem

Por um enfermeiro com experiência internacional e mais de 15 anos em recrutamento de saúde

Terminar a licenciatura em Enfermagem é um momento de grande orgulho, mas também é aquele momento em que percebemos que "arranjar emprego" não vinha nos manuais. Lembro-me bem de acabar o curso e não fazer a mínima ideia de como transformar aquele diploma numa vaga. Vejo o mesmo em muitos recém-licenciados hoje, que descobrem que o mercado tem regras próprias e que ser um bom profissional nem sempre chega para conseguir a primeira oportunidade.

Trabalhei como enfermeiro em Portugal e no estrangeiro antes de me dedicar ao recrutamento na área da saúde, por isso já estive dos dois lados: à procura de emprego e, há mais de 15 anos, a apoiar quem decide  contratar. Isso deu-me uma ideia bastante clara do que realmente pesa quando avalio um candidato recém-licenciado. Deixo aqui cinco coisas que aprendi pelo caminho.

1. Um currículo simples vale mais do que um currículo longo

Sinceramente, não leio seis páginas, e acho que a esmagadora maioria dos recrutadores também não lê. Um currículo mais extenso não impressiona mais, impressiona menos, até porque costumo ter poucos minutos para decidir se avanço com cada candidatura.

Mesmo sem experiência profissional formal há bastante que posso avaliar: ensinos clínicos, projetos académicos, formações complementares, línguas. Quando olho para um currículo não estou à procura da história toda, apenas de um bom motivo para marcar a entrevista.

2. Os estágios são experiência a sério

Ouço com frequência candidatos dizerem que não têm experiência nenhuma, e discordo quase sempre. Na maior parte das vezes falta é confiança para o dizer de outra forma, porque um estágio curricular já é contacto direto com doentes, com equipas multidisciplinares e com a pressão real de um serviço de saúde, coisa que nenhuma aula consegue simular.

Quando recebo uma candidatura gosto de perceber as áreas onde a pessoa estagiou e os procedimentos que chegou a executar. Percebo rapidamente o potencial de alguém que consegue falar com clareza sobre o que fez em estágio, mesmo sem ainda ter um contrato de trabalho no currículo.

3. A rede de contactos continua a abrir portas

Isto vale em Portugal e ainda mais lá fora, porque a Enfermagem continua a ser, teimosamente, uma profissão de relações. Já preenchi vagas boas que nunca chegaram a ser publicadas em lado nenhum, e que vieram através de colegas, de um orientador de estágio, de um antigo professor.

O meu conselho é sempre o mesmo: mantenham o contacto com quem acompanhou o vosso percurso e apareçam em congressos e jornadas da profissão, nem que seja só para tirar um café. Não é bem pedir favores, é mais estar perto da informação, que costuma circular bem antes de aparecer num anúncio.

4. Prepare a entrevista como quem se prepara para um turno difícil

Nas entrevistas que conduzo raramente estou só a avaliar conhecimento técnico. Estou sobretudo a avaliar a atitude, a forma como a pessoa comunica e se encaixaria bem numa equipa, coisas que não aparecem em nenhum relatório final mas que acabam por decidir tudo.

Vale a pena informarem-se sobre a instituição antes de entrar na sala, os seus valores, a área de atuação, aquilo que a distingue das outras. E estejam prontos para falar de uma situação concreta de estágio, de um desafio real e do que aprenderam com ele. Valorizo sobretudo genuinidade e vontade de crescer. Nunca espero dez anos de experiência de um recém-licenciado, espero é disponibilidade para aprender sem fingir que já sabe tudo.

5. Persistência, sem levar as recusas para o lado pessoal

A procura do primeiro emprego costuma demorar mais do que se imagina, e vão acontecer respostas negativas e, às vezes, nenhuma resposta. Sei bem como isso é frustrante, mas garanto que é normal, é assim para praticamente todos.

Uma recusa minha, ou de qualquer recrutador, raramente é um veredicto sobre o vosso valor profissional. Decido em função de coisas que muitas vezes nada têm a ver com o candidato, como as necessidades da instituição naquele momento, o número de concorrentes ou o timing da vaga. Mesmo as candidaturas que não avançam acabam por ensinar alguma coisa.

Em resumo

Começar uma carreira em Enfermagem é exigente, mas é também uma fase cheia de oportunidades. Na minha experiência, um currículo bem construído, estágios bem contados, uma rede profissional ativa, preparação genuína para as entrevistas e alguma persistência sem desânimo costumam acelerar bastante o primeiro emprego.

Depois de anos a olhar para candidaturas dos dois lados da mesa, procuro muito mais do que conhecimentos técnicos. Procuro vontade de aprender, capacidade de adaptação e compromisso real com os cuidados de saúde. Quem me mostra isso já está um passo à frente, o resto aprende-se no primeiro turno.

Se estás a começar esta procura e queres ver o que anda a abrir em recrutamento de saúde, dá uma vista de olhos às vagas da Vitae Professionals. Pode ser o primeiro passo da tua carreira.